80% de descrença

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Uma pesquisa com eleitores na terceira semana de agosto apurou que 80% dos brasileiros desacreditam do processo político. Indagados sobre qual a primeira ideia que surge quando se questiona a situação do Brasil, as respostas são aquelas que todos sabemos. Alinhemos algumas: miséria, violência, desemprego, corrupção, porcaria, desonestidade, improbidade, insegurança, falcatrua, falência, desmatamento, sujeira, lixo, ladroagem, estelionato, estupro, falsidade, mentira, e por aí vai.

A mesma enquete fora realizada em 2010 e o percentual era menor: 54%. Como será essa pesquisa em 2020 e nos anos que vierem?

Depende de nós. Sim, depende de cada um dos sofredores com a agonia da Democracia Representativa, com a falta generalizada de caráter, com o engodo de uma política partidária que só atende aos interesses dos profissionais que nela militam, enquanto o povo enfrenta o crescimento dos problemas num retrocesso atroz.

O que fazer em outubro próximo?

Oferece-se ao Brasil a oportunidade de renovar. De apostar em quem não se sujou na política. De eleger aqueles sobre os quais não paira qualquer suspeita. De mirar pessoas de bem. É impossível que não haja alguém a merecer nosso voto.

Temos missão patriótica a desempenhar até outubro. Convencer os que não querem votar e os que pretendem votar nulo ou em branco. Eles farão o jogo da mesmice. Com qualquer percentual de voto, os mesmos serão eleitos. A mudança depende de comparecimento de todos às urnas e de escolha inteligente.

Vamos banir da vida pública aqueles que pensam que a Lava-Jato é só para celebridades e que a luta contra a corrupção não chegará a escalões estaduais e municipais. Vamos mostrar que o Brasil do bem já não suporta conchavos, alianças perigosas, o reiterado “eu não sabia!”, ou o “todo o mundo faz”.

Depende de cada um de nós por-se a campo e exigir decência, compromisso, seriedade, sepultando os de sempre, nada obstante as reformas pífias que representam a continuidade de tudo o que aí está.

O Brasil não aguenta mais desaforos. O próximo ano será decisivo. Ou nos endireitamos, ou então só resta voltar para as origens. Isso para quem tem outra nacionalidade. O que seria muito triste. Daí o esforço neste curto espaço de tempo que nos separa da definição.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.)

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Publicado na edição 10342, de 4 e 5 de dezembro de 2018.