Chega de relativismo. Não se pode mais isentar aqueles que só gritam

O apelo por moderação acabou. A casa caiu.
O Caso Coaf traz para Bebedouro holofotes, microfones e gravadores de TVs e jornais do Brasil todo.
No centro, aqueles que gritam, pelas redes sociais e um Jornal, como os paladinos da justiça ou os salvadores de Bebedouro. Isso mesmo. Aqueles que até ontem apontavam com dedo em riste e garras afiadas contra tudo e todos que estão trabalhando pela cidade, estão citados nominalmente nos depoimentos dos presos temporariamente e serão investigados.
Uma vergonha nacional.
E foram mexer justamente com a merenda escolar, usando como escudo os pequenos produtores da agricultura familiar orgânica.
Em 2009, a Gazeta de Bebedouro desvendou um imbróglio que envolvia o nome da “Ceagesp”, sem autorização desta, e o deputado Baleia Rossi, para justificar a doação de 47 mil m2 na Feccib nova, por 20 anos, no governo do prefeito Italiano e vice Spido, que acumulava o cargo de diretor de Desenvolvimento, para uma empresa chamada Cabs, cuja sede em São Paulo, descoberta pela Gazeta, era uma residência, com nenhum outro entreposto montado. A justificativa para a doação da área é que esta seria usada por pequenos e médios produtores de hortifrutigranjeiros, adeptos da cultura orgânica.
A reportagem da Gazeta de 30 de setembro de 2009 dizia: “Quando esteve em Bebedouro no dia 31 de agosto (2009), o deputado Baleia Rossi (PMDB) citou a vinda da Ceagesp à cidade: ‘ Na verdade, a ideia era trazer o próprio Ceagesp para cá com um entreposto. Mas, o Ceasa está envolvido, não é algo que não tenha participação (referindo-se à empresa Cabs. Em nota à Gazeta, a própria Ceagesp desmentiu). Eu poderia ver com a Ceagesp como é esta parte técnica. O nosso trabalho político foi de sensibilizar o Ceasa para trazer este entreposto para cá (Bebedouro)”.
Como o entreposto, a Ceagesp e a Cabs foram por água abaixo, aí provavelmente pode ter sido engendrada a criação da Coaf, ou o uso fraudulento dado a ela.
Outro passo facilitador para a continuidade do negócio pode ter sido a destituição do diretório do PMDB local, pelo presidente paulista do PMDB, deputado Baleia Rossi, para entregá-lo ao grupo, tendo como presidente, Gustavo Spido; como tesoureiro, Rogério de Carlos; e 1º membro, Cassio Chebabi. Esta provisória esteve assim constituída até outubro de 2015.

Publicado na edição nº 9940, de 23, 24 e 25 de janeiro de 2016.