Nobel 2018: a medicina do câncer e a economia sustentável

Recente estudo publicado pela Organização Mundial da Saúde informa que 9,6 milhões de pessoas perderão a vida em 2018 devido ao câncer. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer estima que 18,1 milhões de novos casos surgirão neste ano. Ambos os números superam em muito os casos ocorridos em 2012 quando as últimas pesquisas foram realizadas e divulgadas. O câncer continua sendo um dos grandes vilões da saúde mundial, não só em termos de perdas humanas, mas também em perdas financeiras mundiais, estimadas em torno de US$1 trilhão. Muitos são os fatores de risco que estimulam o aumento das perdas, principalmente os relacionados aos hábitos cotidianos, como fumar, não praticar esportes, não aderir aos programas vacinais e usar dietas ricas em gordura e açúcar. Além das terapias convencionais como a radioterapia, a quimioterapia e a cirurgia, a prevenção continua sendo um caminho importante no combate e minimização desse fardo que a sociedade carrega.

Com vistas nesse sério problema mundial, a Academia Sueca laureou com o Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 dois pesquisadores que criaram uma terapia contra o câncer que se mostra promissora aos olhos da comunidade científica.

 

Os freios do sistema imune

James Allison e Tasuku Honjo são dois imunologistas que têm realizado suas pesquisas de forma independente. Allison é um americano de 70 anos que trabalha na Universidade do Texas e estuda um tipo específico de proteína denominada CTLA-4. Já Honjo, é um japonês de 76 anos que trabalha na Universidade de Kyoto e estuda um outro tipo específico de proteína denominada PD-1.

Embora os estudos sejam independentes e embora as proteínas sejam diferentes, o trabalho de ambos tem uma importante particularidade: a paralisação do sistema imune do paciente durante o desenvolvimento do câncer.

De forma simplista, sabemos que os linfócitos T são as células do nosso sistema imunológico que percorrem o organismo e executam perenemente a vigília e o combate a elementos estranhos e nefastos ao nosso corpo. Por algum motivo ainda desconhecido, a célula tumoral cancerígena, que deveria receber o ataque do linfócito T e padecer, consegue emitir proteínas – CTLA-4 e PD-1 – de forma a bloquear a ação do linfócito. Sem o ataque direto, as células tumorais se proliferam levando muitas vezes o paciente à morte.

Tanto Allison quanto Honjo descobriram, cada um a seu modo, drogas que liberam os freios do linfócito, permitindo que ele cumpra a sua missão de exterminar as células tumorais. No Brasil e no mundo drogas para liberar o linfócito já são utilizadas há cerca de quatro anos, principalmente em pacientes cuja doença não responde aos tratamentos convencionais. Por essa importante contribuição à ciência e à sociedade, a Academia Sueca laureou ambos os pesquisadores com o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018.

 

Economia, crescimento sustentável e inovação

Recentemente o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática das Nações Unidas (IPCC) publicou estudos que alertam sobre a extinção de espécies animais, bem como o aumento do risco de calor, enchentes e secas em determinadas regiões do mundo, caso não haja uma mudança profunda na forma como a humanidade vive atualmente. Não é de hoje que o IPCC vem alertando governo e populações sobre a derrocada da saúde do planeta, embora pouco de prático se tenha feito ao combate de suas principais causas.

Nessa esteira da sustentabilidade, dois economistas, William Nordhaus, professor na Universidade de Yale e Paul Romer, professor na Universidade de Nova Iorque, desenvolveram trabalhos que adaptam a teoria econômica para mensurar melhor os desafios ambientais e os relacionar ao crescimento tecnológico.

Nordhaus desenvolveu métodos que descrevem a interação entre a economia e o clima. Seus estudos mostram que a forma mais eficiente de resolver o problema das emissões de gases é impondo um imposto global a todos os países. Já Romer desenvolveu estudos que estimularam novas pesquisas sobre regulamentos e políticas que incentivam inovação e prosperidade a longo prazo. Para ele é possível fomentar o progresso mantendo a sustentabilidade do planeta.

Por suas valiosas contribuições, Nordhaus e Romer foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia de 2018.

Colaboração de Wagner Zaparoli, doutor em ciências pela USP, professor universitário e consultor em tecnologia da informação.

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Leia mais na edição nº 10331, de 8 e 9 de novembro de 2018.